Segurança alimentar no Brasil: por que ela é essencial e quais são os principais desafios

A segurança alimentar e nutricional é um direito fundamental e um dos principais desafios sociais do século XXI. Neste artigo, você vai entender o que é segurança alimentar, sua importância para a sociedade, os desafios enfrentados no Brasil, a relação com a sustentabilidade e como iniciativas como a Nativas Brasil contribuem para garantir o acesso a alimentos seguros, nutritivos e de qualidade.

O que é segurança alimentar e por que ela é fundamental para a sociedade?

Segurança alimentar é o direito fundamental de que todas as pessoas tenham acesso regular e suficiente a alimentos seguros e nutritivos para o crescimento e desenvolvimento, e que proporcione uma vida ativa e saudável.

Dados mais recentes do relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI) mostram que 673 milhões de pessoas passaram fome em 2024. O relatório Perspectivas Globais 2025 do Programa Mundial de Alimentos (PMA) estima que 319 milhões de pessoas enfrentam níveis agudos de insegurança alimentar nos 67 países onde o PMA opera e para os quais há dados disponíveis.

Somando a esses dados, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltam que alimentos inseguros resultam em milhões de casos de doenças e centenas de milhares de mortes todos os anos. Além do impacto direto na saúde pública, a segurança alimentar e nutricional é um pilar para o desenvolvimento sustentável, justiça social e estabilidade econômica.

Dessa maneira, a segurança alimentar é fundamental porque, sem acesso adequado à alimentação, cresce a vulnerabilidade a doenças transmissíveis e crônicas, reduz a capacidade de aprendizado em crianças e diminui a produtividade de adultos no trabalho. Além disso, sistemas alimentares seguros, resilientes e inclusivos ajudam na redução dos custos de saúde, fortalecem as economias locais e promovem a equidade.

Segurança alimentar no Brasil: desafios e políticas públicas

A Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, é responsável por criar o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada.

Contudo, apesar do Brasil ser um grande produtor e exportador de alimentos, milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar, por estar relacionada com desigualdades sociais e econômicas. Rotina acelerada, priorizando economia e praticidade, favorece péssimas práticas alimentares, ao considerar a qualidade, quantidade, o aspecto nutricional, social e ético que o alimento representa.

Em outras palavras, muitas pessoas se alimentam excessivamente de produtos industrializados, ricos em açúcares e gorduras, acarretando mudanças no perfil epidemiológico mundial e da população brasileira; é o que afirma uma pesquisa sobre interfaces e diminuição de desigualdades sociais na segurança alimentar e nutricional.

Por conta disso, alguns programas públicos governamentais, criados a partir do ano de 2003, foram importantes historicamente para a segurança alimentar no Brasil, como o Fome Zero, Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Esses desenvolvimentos foram cruciais para o progresso de políticas e programas relacionados.

Com menos de 2,5% da população em situação de subalimentação, o Brasil segue fora do mapa da fome. Fonte: Nações Unidas Brasil/ Governo Federal.

Qual a importância das leguminosas para a segurança alimentar?

No dia 10 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial das Leguminosas e, por isso, é relevante destacar sua importância no contexto da segurança alimentar.

As leguminosas, a exemplo do feijão-comum, são ricas em proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Elas fornecem aminoácidos essenciais e complementam dietas baseadas em cereais, aumentando a qualidade proteica dos alimentos consumidos.

Além de serem relativamente econômicas e fáceis de armazenar, as leguminosas são importantes para a segurança alimentar de comunidades com restrições orçamentárias ou com acesso limitado a alimentos frescos. Também é indispensável destacar como a agricultura familiar contribui para a segurança alimentar, sobretudo pelo cultivo de leguminosas.

Conheça mais espécies de leguminosas que podem ser importantes para a segurança alimentar, sendo algumas típicas de determinadas regiões do Brasil:

Ingá-feijão (Inga marginata)

A imagem mostra os ramos e os frutos (do tipo vagem) de Ingá-feijão (Inga marginata), exemplo de leguminosa que pode ser muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Flora Digital (UFSC).

Essa espécie nativa apresenta relevante importância para a segurança alimentar, especialmente em contextos rurais e de agricultura familiar, por atuar diretamente nos eixos de disponibilidade, acesso e sustentabilidade dos sistemas alimentares. A planta produz frutos comestíveis, de fácil acesso, que não exigem processamento complexo e que possuem valor nutricional (sobretudo carboidratos e fibras).

Stryphnodendron velutinum

A imagem mostra os ramos de Stryphnodendron velutinum, exemplo de leguminosa que pode ser muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Agência Brasil.

Esta é uma das novas espécies arbóreas de leguminosas descobertas em 2023, endêmica de uma pequena área de cerrado, e que atinge até cinco metros de altura. A espécie ocorre fora de unidades de conservação, em regiões impactadas pela ação humana. O gênero desta planta é mais conhecido pela planta medicinal barbatimão (Stryphnodendron adstringens), que também é uma espécie nativa do Cerrado.

Jatobá (Hymenaea courbaril)

A imagem mostra os ramos e os frutos (do tipo vagem) do Jatobá, árvore muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.

O jatobá possui uma ampla distribuição no Brasil, apresentando elevada relevância para a segurança alimentar, por fornecer alimento, renda e estabilidade produtiva, integrando sistemas produtivos sustentáveis. Produz frutos com polpa farinácea comestível com alto valor energético, usado na produção de farinhas, bolos, mingaus, etc. Essa farinha pode complementar dietas, podendo ser utilizada em períodos de escassez alimentar.

Ingá (Inga spp.)

A imagem mostra as flores brancas e exuberantes do ingá, árvore muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Wikipedia.

O ingá é uma leguminosa de grande porte, muito comum na Amazônia e Mata Atlântica. Dentre sua importância, destaca-se sua polpa comestível rica em açúcares. Por ser uma leguminosa arbórea, destaca-se pela formação de sombra, promovendo melhoria do solo. Possui um rápido crescimento e é excelente para agroflorestas.

Baru (Dipteryx alata)

A imagem mostra o fruto do baru (Dipteryx alata), exemplo de leguminosa que pode ser muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Museu do Cerrado.

Esta é uma espécie nativa do Cerrado brasileiro que, além de fornecer alimento de elevado valor nutricional, gera renda e contribui para a sustentabilidade dos sistemas produtivos, especialmente no contexto da agricultura familiar e do extrativismo sustentável. Seu fruto, a amêndoa do baru, é amplamente consumida após torrefação e utilizada em diversos produtos (como farinhas, doces, barras e óleos).

Algaroba (Prosopis juliflora)

A imagem mostra a algarobeira, exemplo de leguminosa que pode ser muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Flickr.

A algaroba é uma leguminosa arbórea muito usada no Semiárido. Possui vagens ricas em carboidratos e proteínas, que pode ser utilizada tanto para alimentação humana quanto animal (sobretudo ovinos, bovinos e caprinos). É uma árvore extremamente resistente à seca.

Faveleira (Cnidoscolus quercifolius)

A imagem mostra o fruto da Faveleira (Cnidoscolus quercifolius), exemplo de leguminosa que pode ser muito importante para a segurança alimentar no Brasil.
Fonte: Casa e Jardim | Globo.

É uma espécie nativa da caatinga, com grande potencial para o desenvolvimento da região devido seusmúltiplos usos. É uma planta oleaginosa, e sua produção na agricultura familiar faz com que o biodiesel seja uma alternativa importante para a erradicação da miséria. A renda a partir do seu cultivo aumenta o poder de compra de alimentos pelas famílias agricultoras, o que reduz a vulnerabilidade econômica no semiárido.

Qual o papel da Nativas Brasil frente à segurança alimentar?

A Nativas Brasil é uma associação que fortalece cadeias de restauração ecológica, produção e uso de espécies nativas, conectando saberes tradicionais e ciência. Valorizar espécies nativas, sementes, mudas e sistemas agroecológicos contribui para a diversificação da produção de alimentos, fortalecimento local e resiliência dos sistemas alimentares, aspectos essenciais para uma real segurança alimentar.

A Nativas Brasil executa projetos relevantes que apoiam produtores rurais, fomentam a biodiversidade e geram alimentos nutritivos em contextos locais. Um grande exemplo é o projeto Sementes do Amanhã, que objetiva ampliar a diversidade, a qualidade e o volume de sementes e mudas nativas disponíveis para plantio nos projetos de ampliação da cobertura florestal em todos os biomas brasileiros.

Com isso, espera-se estabelecer pelo menos 500 hectares de áreas produtoras de sementes nativas para coleta dos associados da Nativas Brasil, desenvolver uma rede estruturada de produção de sementes e mudas nativas e contribuir para políticas públicas ambientais de fortalecimento do setor.

2º Encontro Nacional da Nativas Brasil com os associados, uma rede que aprende, compartilha e transforma. Foto: Acervo Nativas Brasil.

Visando a sustentabilidade biológica na produção de sementes e mudas nativas a médio e longo prazo, o projeto contribuirá para as metas nacionais e internacionais de restauração ecológica, além de atender a demandas de silvicultura, sistemas produtivos, arborização urbana e a tão almejada segurança alimentar no Brasil.

Conheça nossos demais projetos clicando aqui.


Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – GreenBond Conservation.

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