Recuperação de áreas degradadas como estratégia de combate à seca

Recuperação de áreas degradadas como estratégia de combate à seca

No dia 15 de Abril, é celebrado o Dia Nacional da Conservação do Solo, data que incentiva uma reflexão crítica sobre a importância do uso responsável deste recurso, reconhecendo-o como essencial, tanto para a produção de alimentos quanto para a conservação ambiental. 

Em homenagem à data, este artigo expõe a relação entre a degradação do solo e os efeitos da seca, trazendo a recuperação de áreas degradadas ou alteradas como medida central no combate às mudanças climáticas. Leia até o final e entenda como cada hectare recuperado representa um avanço em direção a um futuro mais resiliente!

Foto do padrão de textura do solo. Foto: Mateus Andrade.
Imagem do solo com destaque para a textura. Foto: Mateus Andrade.

O que são áreas degradadas?

Áreas degradadas caracterizam-se pela perda, total ou parcial das funções ecológicas, produtivas e sociais. Essa degradação decorre, principalmente, de  ações antrópicas, como desmatamento, uso inadequado do solo, pastoreio excessivo, mineração, queimadas e contaminação por produtos químicos. Nestas áreas, a fertilidade do solo, a biodiversidade e a capacidade de infiltração da água estão severamente comprometidas.

Para se ter noção do tamanho do problema, a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) estima que 33% dos solos do planeta já estão degradados e afetam aproximadamente 3,2 bilhões de pessoas – cerca de 40% da população mundial. 

 

A seca e o solo: uma relação de fragilidade

Foto do impacto da seca no solo. Foto: Raghavendra Saka
Foto do impacto da seca no solo. Foto: Raghavendra Saka

Os processos de degradação do solo resultam em solos expostos, compactados ou erodidos. Essas características reduzem sua capacidade de reter água e agravam os impactos da seca. Além disso, a perda de cobertura vegetal e de matéria orgânica compromete a infiltração da chuva, o que favorece enchentes em períodos chuvosos e seca prolongada em períodos secos.

Áreas degradadas, portanto, contribuem diretamente para a intensificação da escassez hídrica, principalmente em regiões semiáridas ou que já apresentam déficit hídrico. A boa notícia é que já temos a solução e o Brasil pode ser o protagonista dessa história, continue lendo e descubra!

Recuperação de áreas degradadas ou alteradas como medida central no combate às mudanças climáticas

A recuperação de áreas degradadas ou alteradas diz respeito ao conjunto de ações e técnicas aplicadas para restabelecer a funcionalidade ecológica, produtiva ou paisagística de uma área que sofreu degradação ambiental.

Sendo assim, recuperar o solo e a vegetação nativa é uma medida primordial quando falamos em combate à seca, mitigação dos impactos das mudanças climáticas e contenção da perda de biodiversidade. Ao restaurar o solo, aumentamos sua capacidade de armazenar carbono, reter água e suportar a biodiversidade.

Entre as principais técnicas estão:

  • Reflorestamento com espécies nativas;
  • Implantação de sistemas agroflorestais;
  • Recuperação de nascentes e matas ciliares;
  • Manejo do solo com práticas conservacionistas.
Mudas de Tabebuia roseoalba. Foto: Iara Borges.
Mudas de Tabebuia roseoalba. Foto: Iara Borges

Essas ações restauram não apenas a paisagem, mas também a resiliência climática e a qualidade de vida das populações diretamente dependentes desses territórios.

 

Recuperar é diferente de restaurar, mas os dois caminham juntos

O Brasil tem um papel estratégico e ativo na recuperação de áreas degradadas, tema que ganhou destaque em políticas públicas como o Plano ABC+, do Ministério da Agricultura, que busca promover uma agricultura de baixa emissão de carbono, com metas ambiciosas de recuperação de milhões de hectares até 2030.

É importante diferenciar os conceitos: enquanto a restauração ecológica visa restabelecer a biodiversidade e as funções originais dos ecossistemas, enquanto a recuperação prioriza a melhoria da funcionalidade do solo e da paisagem, ainda que com uma nova configuração. Ambas as abordagens, contudo, se conectam e se complementam na construção de paisagens mais saudáveis e sustentáveis.

Em muitas regiões do país, a recuperação de áreas degradadas é a etapa inicial que prepara o solo para uma futura restauração, e é por meio dessa sinergia que avançamos rumo a metas climáticas, segurança alimentar e resiliência hídrica.

Se quiser saber, falamos sobre a Década da Restauração de Ecossistemas em outro artigo do nosso blog, clique aqui para conferir!

O papel da Nativas Brasil na recuperação do solo 

A Nativas Brasil atua diretamente na promoção da restauração ecológica por meio da articulação de uma associação de produtores de sementes e mudas de espécies nativas. Nosso trabalho garante que a recuperação de áreas degradadas aconteça com base na diversidade dos biomas brasileiros, respeitando os ciclos naturais e fortalecendo economias locais.

Trazemos para o centro do debate a importância de uma restauração que vai além do plantio de  árvores, visando a reconstituição de ecossistemas funcionais e resilientes.

1º Encontro Nacional da Nativas Brasil, na Reserva Florestal Legado das Águas. Foto: Iara Borges.
1º Encontro Nacional da Nativas Brasil, na Reserva Florestal Legado das Águas. Foto: Iara Borges.

Cuidar do solo é cuidar da vida. A cada hectare recuperado, damos um passo em direção a um futuro mais equilibrado, com clima regulado, disponibilidade hídrica e produção de alimentos saudáveis.

Neste 15 de abril, convidamos você a se engajar na recuperação de áreas degradadas. Seja por meio do plantio de espécies nativas, do apoio a projetos de restauração ou da defesa de políticas públicas para a conservação do solo, toda ação importa!

Vamos juntos plantar um futuro mais verde, justo e sustentável.

 

Escrito por: Camila Rodrigues – Greenbond Conservation 

Revisado por: Juliana Badari – Greenbond Conservation

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