COP30 reforça o protagonismo da Nativas Brasil na restauração com espécies nativas

A COP30 representou um momento decisivo para reafirmar o papel estratégico da restauração ecológica no Brasil, especialmente diante da meta nacional de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Para que esse compromisso seja cumprido, é indispensável fortalecer a base da cadeia de sementes e mudas nativas, o trabalho que sustenta qualquer ação de restauração em todos os biomas. A participação da Nativas Brasil na conferência reforça esse chamado: é na produção de espécies nativas que começa a transição ecológica que o país promete entregar ao mundo. Este artigo reúne os destaques, aprendizados e as conquistas que marcaram nossa participação em Belém, além de mostrar como o evento consolidou nossa atuação como referência nacional em sementes e mudas nativas.

Destaques da COP30 para os setores de restauração ecológica e silvicultura de nativas

Foto: Estande do Viveiro Florestal da Ardosa na Agrizone, COP30

A COP30, realizada pela primeira vez no bioma amazônico, marcou uma mudança que já vinha se consolidando. A restauração ecológica, a silvicultura de espécies nativas e a bioeconomia deixaram de ser temas periféricos e passaram a ocupar o centro do debate climático global. 

Para o Brasil, a conferência reforçou um ponto essencial: não existe caminho possível para cumprir as metas climáticas sem fortalecer a cadeia de sementes e mudas nativas, que viabiliza qualquer política de recuperação ambiental em grande escala.

Desde os primeiros dias, ficou claro que o país chegava ao evento com uma agenda articulada e coerente. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG), o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) passaram a operar de forma integrada, criando condições mais favoráveis para ampliar a cobertura vegetal nativa, combater o desmatamento em sua origem e alinhar conservação, produção e justiça climática. Neste cenário, a restauração ecológica e a silvicultura de nativas se consolidam como pilares estratégicos, atuando como motores de uma economia regenerativa baseada em ciência, inclusão e biodiversidade.

Entre os anúncios mais relevantes da conferência esteve o lançamento do Programa Nacional de Florestas Produtivas (PNFP), que propõe recuperar áreas degradadas por meio da silvicultura de nativas, mobilizando agricultura familiar, empreendedores locais, centros de pesquisa e cadeias produtivas emergentes. 

O programa reforça a visão de que sistemas produtivos baseados em espécies brasileiras podem gerar renda, reduzir pressões sobre áreas naturais e fortalecer arranjos econômicos comunitários. 

Foto: Fotografia oficial da Cúpula do Clima (COP30)/Wikimedia Communs

No campo do financiamento, a agenda também avançou. O anúncio do novo Tropical Forest Forever Fund (TFFF) movimentou debates, especialmente diante da demanda de povos e comunidades tradicionais para que a porcentagem destinada diretamente a eles seja ampliada, garantindo participação justa e governança compartilhada. 

Somam-se a isso iniciativas impulsionadas pelo Partnership for Forests (P4F), que têm estruturado chamadas e apoio técnico para qualificar a produção de nativas, ampliar o acesso a matrizes de qualidade e criar condições concretas de escala.

Para fechar, a movimentação financeira da COP30 foi expressiva: a Brazil Restoration & Bioeconomy Finance Coalition superou US$ 4,5 bilhões mobilizados para projetos que unem restauração, bioeconomia e inclusão social; o BNDES anunciou R$ 7 bilhões para iniciativas do setor florestal em todos os biomas; e o Fundo Amazônia destinou mais de R$ 123 milhões a projetos indígenas de recuperação ecológica com espécies nativas. Iniciativas apoiadas pelo P4F também se destacaram ao reforçar a silvicultura de nativas como eixo de desenvolvimento sustentável.

No conjunto, os anúncios e compromissos assumidos na COP30 confirmaram o diagnóstico que a Nativas Brasil já vinha defendendo. O país avança no reconhecimento de que restaurar ecossistemas com espécies nativas e fortalecer a silvicultura de nativas é estratégico para enfrentar a crise climática e promover desenvolvimento sustentável. Confira à seguir como esse contexto reforçou a relevância da participação da Nativas Brasil na conferência.

Como marcamos presença em eventos oficiais e paralelos à COP30

Foto: Equipe da Nativas Brasil na COP30 

Nossa equipe, formada por Rodrigo Ciriello (presidente), Iara Borges (secretária executiva) e Renato Ximenes (diretor institucional), representou os 122 associados da Nativas Brasil com solidez e compromisso. 

Ao longo da conferência, apresentamos ao mundo o trabalho contínuo que a associação vem desenvolvendo para qualificar o setor, com avanços que incluem os programas de capacitação, o Encontro Nacional e o Projeto Sementes do Amanhã, que ganhou destaque pelo potencial de ampliar a diversidade de espécies nativas produzidas, aprimorar a qualidade genética e a rastreabilidade das sementes nativas em todo o país. 

Estar em Belém, com a Amazônia no centro das atenções globais, reforçou a relevância dessa agenda. Em cada painel, diálogo e encontro institucional, evidenciamos o protagonismo dos produtores de sementes e mudas nativas que sustentam a base da restauração ecológica e que agora, alcançam maior visibilidade no cenário internacional.

Além disso, pudemos acompanhar o estande de um de nossos associados, o Viveiro Florestal da Ardosa, conduzido por Sidcley e Adina, que representou o Pará como produtor de espécies nativas no espaço da Agrizone. 

Outros viveiristas associados também marcaram presença em eventos promovidos pela própria Nativas, como o Sérgio Aurélio da Savana Agroflorestal, o James do Viveiro Sumaúma, a Madalena do Sementes do Paraíso; e Philip Kauders, Gilberto Terra, Luiza Avellar e Frederico Campos da Corageous Land. Essa participação ressalta a força coletiva da nossa rede.

A agenda da Nativas Brasil durante a COP30

  1. Eventos promovidos pela Associação:
Painel: Experiências, caminhos e parcerias para a promoção da bioeconomia da restauração com espécies nativas, negócios sustentáveis e mitigação climática no Brasil

Foto: Painel da Nativas Brasil na Agrizone

Palestrantes: Rodrigo Ciriello (presidente), Iara Borges (secretária executiva) e Renato Ximenes (diretor institucional).

No principal palco da Agrizone da Embrapa na COP30, a Nativas Brasil apresentou os avanços recentes na profissionalização da cadeia de sementes e mudas nativas no país. Em menos de um ano, a associação consolidou entregas estratégicas, como o diagnóstico nacional dos viveiros realizado em parceria com a Silva, a primeira turma de formação de viveiristas, a inclusão da categoria no Plano Safra, a revisão das normas do setor e a estruturação inicial de novos mecanismos financeiros para nativas. 

Representando mais da metade da capacidade nacional de produção de mudas, a Nativas Brasil reforçou que não há restauração possível sem o fortalecimento da base da cadeia. O painel destacou a restauração como tema central da agenda climática, defendendo uma infraestrutura verde que seja regional, biodiversa, socialmente inclusiva e construída como bem público, com forte articulação entre Estado, sociedade civil e setor produtivo.

Assista à transmissão ao vivo que ficou gravada no canal do YouTube da Embrapa: https://www.youtube.com/live/dhBO7FN-wSE 

Mesa redonda: Café da Manhã com a Nativas Brasil 

Foto: Registro do evento organizado pela Nativas Brasil na Casa Belterra, evento paralelo à COP30

A Nativas Brasil promoveu um café da manhã especial na Casa Belterra, um espaço que acolheu a associação e favoreceu diálogos qualificados sobre clima, bioeconomia e restauração ecológica. O encontro reuniu produtores de sementes e mudas, pesquisadores, organizações parceiras e representantes institucionais para apresentar os avanços técnicos e institucionais da associação e fortalecer a articulação entre os diversos atores da cadeia de produção de espécies nativas.

Participaram também nomes de referência como Cláudio Pádua (Silva e IPÊ), Daniel Cady (Muri) e Valmir Gabriel Ortega (Belterra Agroflorestas), além de parceiros como a Silva e o Redário, que contribuíram com perspectivas essenciais para o debate.

O encontro reforçou a importância de ambientes que promovem escuta ativa, colaboração técnica e construção coletiva. A Nativas Brasil agradece ao Instituto Belterra pela parceria e pela cessão do espaço, e a todos que contribuíram para um diálogo tão rico e estratégico.

Painel: Native seeds for a restored future: Building the Foudations of Brazil’s Bioeconomy 

Foto: Palestrantes no painel do International Institute for Sustainability, na COP30

Palestrantes: Rodrigo Ciriello (presidente), Iara Borges (secretária executiva) e Renato Ximenes (diretor institucional) e Frederico Machado Soares (Instituto Clima e Sociedade – iCS).

O painel aconteceu na Bluezone e destacou o papel estratégico dos produtores de mudas e sementes nativas na construção de uma bioeconomia baseada na biodiversidade brasileira. Nossa equipe apresentou os avanços institucionais e técnicos da rede e discutiu caminhos para ampliar a escala da restauração ecológica no país. 

Assista à transmissão ao vivo que ficou gravada no canal do YouTube do International Institute for Sustainability: https://youtube.com/@iis-rio?si=SnBajfvLMfxdxB53

  1. Participações da Nativas Brasil como convidada:
Restauração Produtiva para uma Nova Economia do Uso da Terra

Foto: Palestrantes em painel na Cas’Amazonia, durante a COP30

Palestrantes: Mariana Oliveira (WRI Brasil), Irene Suarez Pérez (Restor), Rodrigo Ciriello (Nativas Brasil e Coalizão Brasil), Thiago Belote (MMA), Raphael Stein (BNDES), Thais Kasecker (Instituto Belterra)

Neste painel, a restauração de ecossistemas foi destacada como uma das soluções mais efetivas e acessíveis para enfrentar a crise climática, especialmente diante da meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. O debate buscou entender como destravar e ampliar o mercado da restauração no país, articulando políticas públicas, mecanismos de financiamento e inovação, com ênfase no papel estratégico da sociedade civil e das coalizões multissetoriais na consolidação desse caminho.

Restauração ecológica como estratégia de mitigação e adaptação dos efeitos das mudanças climáticas na Mata Atlântica

Foto: Palestrantes em painel na Casa da Mata Atlântica, durante a COP30

Palestrantes: Alex Mendes Pacto (Restauração MA), Roberto Resende (Iniciativa Verde /Movimento), Miriam Prochow (Apremavi), Marcelo Elvira (Observatório Cod Florestal), Rodrigo Ciriello (Nativas Brasil e Coalizão Brasil)

A restauração florestal é uma estratégia essencial contra a crise climática. O painel reuniu especialistas e lideranças da Mata Atlântica para debater soluções baseadas na natureza, políticas públicas e iniciativas que integram conservação, produção e sustentabilidade. 

Brazil Restoration Day: The potential of tropical forests as a climate asset

Foto: Palestrantes em painel na Cas’Amazônia, na COP30

Palestrantes: Adriano Scarpa (IBÁ), Malu Paiva (Suzano), Rodrigo Ciriello (Nativas Brasil e Coalizão Brasil), Roberto Waack (Instituto Arapyaú)

Organizado pelo Instituto Arapyaú, o painel apresentou a plataforma Floraz e discutiu os achados do novo documento “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”, usando-o como ponto de partida para integrar diferentes vozes da indústria, organizações e sociedade civil. A conversa destacou desafios e oportunidades das estratégias florestais brasileiras, com o objetivo de fortalecer a liderança do país e ampliar o alcance global dessas agendas na COP30.

As florestas brasileiras como parte essencial no combate às mudanças climáticas

Foto: Palestrantes em painel da COP30

Palestrantes: Roberto Waak (Instituto Arapyaú), Helena Pavese (Suzano), José Carlos da Fonseca (IBÁ), Rodrigo Ciriello (Coalizão Brasil)

Moderadora: Helena Pavese (Suzano)

O painel, organizado pelo Instituto Arapyaú, marcou dois lançamentos importantes: a plataforma Floraz e o documento “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”. A partir dessas análises, o debate abordou como restauração e silvicultura podem impulsionar o desenvolvimento climático do Brasil, reunindo indústria, coalizões e sociedade civil em um diálogo pré-competitivo voltado à projeção internacional durante a COP30.

Catalyzing Green Capital: Innovative Finance for Brazil’s Pasture Regeneration

Foto: Palestrantes em painel da Agrizone, durante a COP30

Palestrantes: Philippe Kafer (CPI Lab), Daniel Jimenez (Silva) e Isabel Brites (Instituto Belterra)

Na Agrizone, em painel organizado pelo CPI Lab, foi apresentado o GiroVerde, primeiro crédito desenhado especificamente para oferecer capital de giro a viveiros de mudas nativas no Brasil. Desenvolvida pela Silva e diversos parceiros, como XiCa, Nativas Brasil, entre outros, a solução foi construída a partir da realidade dos viveiros e pensada para atender associados da Nativas Brasil e outros produtores de mudas nativas, com prazos e condições alinhados ao ciclo real de produção.

O GiroVerde se diferencia das linhas tradicionais de crédito ao considerar as janelas biológicas, a sazonalidade e as variações de caixa dos viveiros, oferecendo mais previsibilidade para produzir mesmo em períodos de menor receita. Com isso, os viveiros passam a ser reconhecidos como infraestrutura essencial da restauração ecológica em escala, fortalecendo a geração de renda nos territórios e a execução de projetos de restauração em todo o país.

Lançamentos e grandes momentos

A participação da Nativas Brasil na COP30 também foi marcada por conquistas simbólicas e estratégicas. Um dos momentos de maior destaque foi o lançamento oficial do vídeo manifesto, apresentado durante painel na Agrizone, espaço dedicado à agricultura sustentável na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém.

O manifesto expressa a força coletiva da base da restauração brasileira. Ele dá visibilidade ao trabalho dos produtores de sementes e mudas nativas e reafirma o nosso compromisso em fortalecer esse setor e em ampliar o reconhecimento público sobre sua importância.

Assista ao vídeo manifesto e conheça esse chamado coletivo:

Além disso, essa repercussão não se limitou aos espaços da conferência. A associação também ganhou destaque na imprensa, fortalecendo ainda mais sua voz institucional. Uma das entrevistas exibidas foi ao TEM Notícias 2ª Edição – Bauru/Marília, ampliando o alcance da mensagem e reforçando a relevância do trabalho apresentado em Belém.

Desafios, lições e o que ficou claro para o futuro

Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil 

A COP30 mostrou que, apesar dos avanços, os desafios seguem múltiplos. As manifestações necessárias protagonizadas por povos indígenas e comunidades tradicionais, em uma edição que se tornou a mais diversa da história das COPs, evidenciaram que ainda há muito a melhorar para que as decisões climáticas sejam realmente efetivas e inclusivas.

Focando no setor da restauração, um ponto estrutural permanece como o maior entrave: o Brasil ainda carece de um órgão capaz de centralizar a captação e a gestão de recursos internacionais. Sem essa coordenação, o país enfraquece sua capacidade de fortalecer viveiros, estruturar mercados, apoiar territórios e transformar sua biodiversidade em uma verdadeira potência climática.

Seguimos cada vez mais fortalecidos e estruturados

Foto: Equipe da Nativas Brasil 

Considerando todos os aspectos aqui mencionados, é seguro dizer que a COP30 marcou uma nova etapa para a Nativas Brasil. Voltamos de Belém ainda mais fortalecidos, com novas conexões, maior visibilidade institucional e a certeza de que nossa atuação é fundamental para que o país cumpra suas metas e ambições climáticas.

Seguimos trabalhando para estruturar a cadeia, apoiar produtores de sementes e mudas nativas, ampliar oportunidades, qualificar processos e consolidar uma agenda que reconheça a restauração como eixo estratégico para o futuro do Brasil.

Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – Greenbond Conservation.

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