“Não podemos ser só espectadores da destruição, temos que ser agentes da mudança.”
A frase, relembrada por uma associada da Nativas Brasil que integra o Instituto Terra, fundado por Sebastião e Lélia Salgado, marcou um dos momentos mais simbólicos do 2º Encontro Nacional da Nativas Brasil.
Ao redor da fogueira, viveiristas e produtores de sementes e mudas de diferentes biomas do país compartilharam suas histórias, o que os motiva e o que os une. Os relatos se centraram principalmente no desejo coletivo de restaurar ecossistemas e garantir um futuro mais biodiverso.
Um encontro guiado por propósito e colaboração

Durante dois dias intensos, os participantes vivenciaram uma imersão de aprendizado e trocas genuínas. O encontro reuniu palestras, dinâmicas e visitas técnicas, proporcionando momentos de aprendizado prático e de fortalecimento dos laços entre os associados.
Mais do que um evento, o encontro simbolizou a realização de um sonho coletivo da Nativas Brasil: oferecer capacitação técnica e prática aos seus associados, fortalecer a base da cadeia de restauração, garantir a produção de mudas nativas de alta qualidade, capazes de gerar soluções concretas para o cumprimento das metas brasileiras no Acordo de Paris, e aproximar os associados que são parte importante da base da cadeia da restauração florestal, um elo fundamental para o crescimento do setor.
O curso online, somado a essa vivência presencial, representou um marco histórico para a rede, reforçando a importância da formação continuada, do compartilhamento de saberes e da atuação conjunta para impulsionar o setor de sementes e mudas nativas no país.
Para conhecer mais detalhes sobre o conteúdo do curso e as etapas dessa iniciativa, acesse nosso texto completo sobre o Curso de Capacitação para Produtores de Sementes e Mudas Nativas, um programa exclusivo da Nativas Brasil voltado ao fortalecimento técnico dos viveiristas.
Programação: teoria, prática e troca de experiências
Dia 1 – Conhecimento, debate e inovação
O evento teve início na sexta-feira (11), com um café da manhã coletivo no Viveiro Da Serra Ambiental, localizado em Joanópolis (SP). A colaboradora do viveiro, Ana Paula Costa, conduziu uma visita técnica detalhada, apresentando as estruturas do viveiro, os processos de produção e boas práticas aplicadas à coleta e ao beneficiamento de sementes.
Na sequência, os associados participaram de uma demonstração da Máquina de Paper, conduzida por José Bonilha, que apresentou soluções inovadoras para otimizar a produção de mudas, seguida pela palestra de Pedro Matarazzo sobre adubação e bioestimulantes, tema fundamental para o fortalecimento e o desenvolvimento das plantas.
À tarde, o presidente da associação, Rodrigo Ciriello, apresentou o painel “Nativas Brasil: onde estamos e para onde vamos?”, com um panorama das conquistas recentes e dos próximos passos da entidade.
Na sequência, ocorreram duas dinâmicas coletivas: Sugestões para Alteração da IN17 (MAPA) e Prioridades de Pesquisa (Embrapa), com ampla participação dos associados e proposições que reforçam a importância da escuta ativa e da colaboração entre os elos da cadeia produtiva.
Painéis e palestras: ciência aplicada à restauração
O primeiro dia também foi marcado por palestras inspiradoras com nomes de destaque da área florestal e botânica.
Antônio Higa | Pesquisa e genética aplicada à restauração
Engenheiro florestal pela USP, doutor pela Australian National University e pós-doutor pela Universidade de Freiburg, Antônio Higa é uma das maiores referências nacionais em genética e melhoramento florestal. Com ampla experiência na Embrapa Florestal e na UFPR, Higa destacou em sua palestra a importância da qualidade genética das sementes e a necessidade de aprimorar os programas de melhoramento voltados às espécies nativas.
Durante sua fala, apresentou o projeto Sementes do Amanhã, desenvolvido em parceria com a Nativas Brasil, que busca fortalecer a base genética da produção de mudas nativas e garantir maior eficiência e adaptabilidade nas ações de restauração ecológica.
Harri Lorenzi | Arborização urbana e tecnologia a serviço da conservação
Engenheiro agrônomo, botânico e fundador do Instituto Plantarum, Harri Lorenzi encerrou o primeiro dia com uma reflexão sobre a importância das árvores em contexto urbano e o papel do plantio consciente para o equilíbrio ambiental nas cidades. Durante a palestra, Lorenzi apresentou o aplicativo Arboriza Brasil, uma ferramenta criada para auxiliar técnicos, gestores públicos e cidadãos na escolha correta de espécies para arborização urbana, levando em conta fatores como o tipo de calçada, a presença de fiação elétrica e o clima local. Desenvolvido a partir de décadas de pesquisa e conhecimento compilados em suas obras, o aplicativo contribui para uma arborização planejada, sustentável e segura, ajudando a garantir que o plantio urbano seja feito com responsabilidade e consciência ecológica.
Dia 2 – Experiência em campo e troca entre viveiristas
O segundo dia de programação foi marcado por visitas técnicas aos viveiros associados Verde Nativo e Fábrica de Árvores, ambos localizados em Bragança Paulista (SP).
As visitas permitiram uma troca intensa de experiências sobre práticas de produção, manejo, controle de qualidade e desafios enfrentados na rotina dos viveiristas.
Esses momentos em campo foram essenciais para aproximar os associados, promover o aprendizado colaborativo e fortalecer a rede da Nativas Brasil como uma comunidade técnica, solidária e engajada na transformação da paisagem brasileira por meio da restauração ecológica.
Uma rede que aprende, compartilha e transforma

Exclusivo para os associados da Nativas Brasil, o encontro reafirmou o papel estratégico dos viveiristas e produtores de sementes e mudas na agenda nacional de restauração, além de evidenciar a força da construção coletiva que sustenta a associação.
O evento contou com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), parceiro tanto do curso quanto do encontro, e das empresas Silva, Agrotope e Master Planti – Pro Planti, que se somaram à viabilização desta edição tão especial.
O videocase lançado agora reúne os momentos mais marcantes dessa experiência, das trocas ao redor da fogueira às visitas em campo, mostrando a potência de uma rede que cresce unida por um propósito comum: restaurar os biomas brasileiros.
Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – Greenbond Conservation


