Produtos de Sementes Nativas: diversidade e rastreabilidade a favor da biodiversidade

Um novo estudo da Nature Reviews Biodiversity, divulgado pela Agência FAPESP, mostra que o declínio de animais dispersores ameaça a regeneração florestal e o sequestro de carbono. A resposta brasileira está em curso com o projeto pioneiro Sementes do Amanhã, idealizado pela Nativas Brasil. Leia o artigo até o final para saber mais. 

Jacutinga (Aburria jacutinga) se alimentando de um fruto da palmeira Juçara (Euterpe edulis Martius). Foto: Mauro Galetti – Revista Fapesp

O alerta da ciência

Maritaca (Brotogeris tirica) se alimentando de fruto de Jerivá (Syagrus romanzoffiana). Foto: Viva o Parque

Em maio de 2025, um artigo publicado na Nature Reviews Biodiversity reuniu novas evidências sobre a importância dos dispersores de sementes, como aves, primatas, antas e morcegos. Esses animais, transportam sementes e garantem a regeneração da vegetação.  Quando estão presentes a natureza mantém sua diversidade, resiliência e capacidade para absorver carbono.

A síntese divulgada pela Agência FAPESP destaca que em regiões como a Amazônia e a Mata Atlântica, cerca de 90% das espécies arbóreas dependem da fauna para se dispersar. No Cerrado, esse número chega a 60%. A perda desses dispersores compromete diretamente o equilíbrio climático, tornando mais difícil cumprir as metas globais de mitigação das mudanças climáticas.

Ao se alimentar de frutos, os animais realizam um tratamento natural das sementes: no trato digestivo, as sementes passam por processos químicos e mecânicos que aumentam a taxa de germinação e permitem que elas se estabeleçam em locais mais distantes e seguros. Sem esses dispersores, muitas sementes sequer germinariam, ou, se germinarem, enfrentariam alta competição e mortalidade junto à planta-mãe. 

Esquema ilustra o papel dos animais dispersores de sementes. Fonte: arvoreagua

Essa relação direta entre fauna e flora evidencia que restaurar ecossistemas não se resume a plantar árvores. É preciso considerar a rede de interações ecológicas que mantém a floresta viva, funcional e resiliente.

A centralidade dos Produtos de Sementes Nativas

Frente a esse desafio, os produtos de sementes nativas assumem papel estratégico. Mais do que insumos para plantio, eles representam um serviço ecológico completo, que inclui diversidade genética, procedência adequada e rastreabilidade. 

Esses atributos permitem que projetos de restauração não apenas recomponham áreas degradadas, mas também reativem as interações ecológicas entre plantas e fauna, fundamentais para o ciclo do carbono e para a saúde das florestas.

Foto: Iara Borges

Sementes do Amanhã, um Projeto pioneiro

Foto: Nativas Brasil

É nesse contexto que a Nativas Brasil lança o “Sementes do Amanhã”, um trabalho inédito no país, com foco em ampliar a diversidade de espécies nativas disponíveis, enriquecer a base genética e estruturar cadeias produtivas sustentáveis. 

O projeto conta com a consultoria técnica do professor Antônio Higa, da Universidade Federal do Paraná, e nasce para transformar a atividade de coleta de sementes no Brasil, reduzindo a dependência de espécies exóticas e florestas industriais.

Entre seus pilares, estão:

  • Identificação botânica rigorosa de matrizes;
  • Enriquecimento das áreas de coleta de sementes;
  • Criação das Casas das Sementes do Amanhã, que unirão banco de dados, beneficiamento e armazenamento;
  • Capacitação contínua de coletores, viveiristas e responsáveis técnicos.

Essa estrutura fortalece a base da restauração ecológica e prepara o setor para responder de forma qualificada às metas climáticas e de biodiversidade do país.

Sistema Nativas Brasil: tecnologia a serviço da restauração

Semente de Tamboril (Enterolobium timbouva) Foto: Caio Buni

A primeira fase do projeto é o Sistema Nativas Brasil, solução tecnológica inédita que recebeu o apoio do Itaú para viabilizar o início desse projeto tão importante para a estruturação da produção de espécies nativas nacional, que é o Sementes do Amanhã. O sistema irá mapear zonas ecológicas (áreas de referência definidas pela composição de espécies arbóreas), indicar espécies adequadas por coordenadas geográficas, integrar dados ecológicos e silviculturais e promover rastreabilidade completa das sementes.

Na prática, o Sistema Nativas Brasil será um aplicativo acessível que apoiará viveiristas, coletores, técnicos, consultores ambientais, gestores públicos e proprietários rurais. A ferramenta dialoga diretamente com políticas públicas como a Proveg e o Planaveg 2025–2028, trazendo transparência e confiança para todo o setor.

Reconhecimento coletivo e transformação do setor

O apoio conquistado junto ao Itaú é mais do que um patrocínio. Ele simboliza o reconhecimento da importância do trabalho da Nativas Brasil e da força coletiva dos seus associados. Cada viveiro, cada coletor e cada associado fazem parte dessa transformação que coloca os produtos de sementes nativas no centro da agenda climática e da restauração ecológica do Brasil.

O estudo global mostrou que sem dispersores a floresta perde seu vigor e sua contribuição climática. O Sementes do Amanhã, com o pioneirismo do Sistema Nativas Brasil, fortalece a diversidade, a qualidade e a rastreabilidade dos produtos de sementes nativas. Essa combinação de ciência, inovação e força coletiva inaugura uma nova etapa para a restauração no Brasil, unindo tecnologia e biodiversidade para regenerar ecossistemas e garantir futuro para o clima e para a sociedade.

Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – Greenbond Conservation

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