O fortalecimento da restauração ecológica no Brasil depende, de forma indissociável, da produção de conhecimento científico qualificado e do diálogo contínuo com o setor produtivo responsável pelo fornecimento de sementes e mudas nativas. Nesse contexto, estudos de abrangência nacional cumprem papel fundamental ao sistematizar informações, identificar gargalos e subsidiar políticas públicas. Ao mesmo tempo, a contribuição desses estudos está diretamente relacionada à amplitude, profundidade e à diversidade das fontes de dados consideradas.
Esforços da Nativas Brasil e dos demais coletivos biomáticos no levantamento e divulgação de informações setoriais
Procurando atender a demanda por investigação e atualização de dados abrangentes sobre a atividade de produção de mudas nativas no Brasil, já há tempos desatualizados, no ano de 2025 a Nativas Brasil realizou e publicou o Diagnóstico Viveiros do Brasil (clique aqui e acesse), em parceria com a Silva Soluções Ambientais.
Nesse material, a Nativas Brasil apresenta um conjunto significativo de dados sobre o setor, obtidos de forma rigorosa a partir de visitas e questionários detalhados aplicados na sua base de associados, que representam parcela significativa do setor de produção de mudas nativas no Brasil. Nessa análise, foram considerados múltiplos eixos de pesquisa a partir de um questionário com 180 (cento e oitenta) perguntas, cobrindo os principais aspectos da produção de sementes e mudas nativas. A investigação foi principalmente realizada in loco, com confirmação presencial.
Além do diagnóstico, a Nativas Brasil também vem coletando e atualizando as informações cadastrais de todos os seus associados e, com isso, tem levantado dados de forma sistemática que permitem um olhar atualizado sobre a organização e produção de espécies nativas no País, de forma a amparar políticas públicas e iniciativas dos setores público e privado relativas à categoria. Nossa estimativa conservadora é que o grupo de associados da Nativas Brasil corresponde a mais da metade da capacidade instalada nacional em produção de mudas nativas, em todos os biomas do País.
Esse levantamento de informações sobre a base da cadeia de produção de sementes e mudas nativas é um esforço que conta com a colaboração fundamental de diversos outros coletivos organizados, como as redes de restauração de cada um dos biomas do País, incluindo – dentre diversos outros – o Redário de Sementes, a Rede de Sementes do Xingu, a Rede de Sementes do Cerrado, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, a Aliança pela Restauração da Amazônia, e mais.
Uma análise técnica do estudo “Fornecimento de sementes e mudas nativas no Brasil” publicado em novembro de 2025 no Portal de Livros Abertos da Universidade de São Paulo (referido aqui como o “Estudo“), permite reconhecer a relevância da iniciativa, ao mesmo tempo em que evidencia limitações metodológicas que merecem ser discutidas de forma construtiva pela comunidade científica e pelos atores do setor de restauração ecológica.
Apresentação do estudo “Fornecimento de sementes e mudas nativas no Brasil”
O referido Estudo apresenta um diagnóstico nacional da cadeia de produção e comercialização de sementes e mudas de espécies nativas, com foco no atendimento à restauração ecológica. Além disso, sistematiza informações sobre viveiros, redes de sementes, diversidade de espécies ofertadas, capacidade produtiva e distribuição regional de mudas nativas, buscando mapear a estrutura e os gargalos do setor no país. Segundo o Estudo, há forte concentração regional dos fornecedores e significativa variação na diversidade de espécies de mudas nativas produzidas.
Metodologicamente, o Estudo baseia-se em levantamento de 4 bases oficiais, complementada por informações coletadas diretamente junto a viveiros e coletores de sementes por meio de questionários e consolidação de informações autodeclaradas para estimar volumes de produção, número de espécies e abrangência territorial. O Estudo apresenta tabelas e gráficos que detalham a distribuição por estados, perfil dos fornecedores e capacidade produtiva anual, permitindo uma visão panorâmica do mercado formal identificado na pesquisa.
Como resultado, as autoras do Estudo apontam avanços na organização do setor, mas também destacam limitações estruturais, como baixa diversificação de espécies em parte dos viveiros, desafios logísticos, entraves regulatórios e desigualdade regional na oferta.
Um ponto que merece atenção no Estudo diz respeito à ausência de consulta a bases de dados e informações mantidas pelas organizações representativas do setor produtivo, como a Nativas Brasil, o Redário e outras redes e associações regionais e nacionais. Essas organizações desempenham papel estratégico na articulação da cadeia, na organização territorial da produção, na conservação genética e na qualificação técnica dos fornecedores.
Considerando as mais de 180 (cento e oitenta) questões respondidas na elaboração do Diagnóstico Viveiros do Brasil e na atualização cadastral da Nativas Brasil, como exemplo ilustrativo, o Estudo parece ter levado em conta as respostas diretas de produtores em apenas 5 (cinco) questões.
Como ilustração das análises realizadas, o próprio Estudo reconhece a necessidade de redes estruturadas e articuladas de fornecedores para garantir eficiência logística, diversidade genética e adequação ecológica das mudas nativas. No entanto, ao desconsiderar dados e análises provenientes de redes, associações e coletivos já existentes, o Estudo acaba por sugerir uma lacuna institucional que, na prática, vem sendo preenchida por iniciativas do setor produtivo organizado, citadas acima.
Nesse aspecto específico, a leitura do Estudo aponta que seria necessária a criação de redes e articulações para reunir a base da cadeia produtiva de espécies nativas. Segue um trecho do Estudo, na página 7:
“[…] Essa demanda crescente por insumos qualificados exige uma rede de fornecedores bem estruturada e articulada, capaz de atender a diferentes regiões e contextos ecológicos. Para tanto, é fundamental contar com uma infraestrutura robusta e descentralizada, que permita o acesso eficiente a sementes e mudas adaptadas às condições locais. Além disso, a presença de fornecedores em regiões estratégicas contribui para reduzir custos logísticos, ampliar a adesão de produtores e garantir o sucesso das ações de restauração.
O fortalecimento dessa cadeia não apenas atende às exigências técnicas dos projetos de restauração ecológica, como também viabiliza a expansão dos sistemas agroflorestais. Estes, por sua vez, aliam produção agrícola à conservação da biodiversidade, promovendo alternativas econômicas, contribuindo para a soberania alimentar e fornecendo suporte para usos da terra mais sustentáveis em diferentes territórios do país. Além disso, também contribuem em ações de arborização urbana e de Educação Ambiental.”
Observações Específicas sobre o Estudo de mudas nativas
As considerações apresentadas a seguir referem-se exclusivamente a aspectos metodológicos e à abrangência dos dados utilizados no Estudo, não configurando questionamentos de natureza pessoal ou institucional. A análise concentra-se na representatividade da amostra e na consistência das inferências construídas, à luz de bases de dados complementares e da experiência acumulada pelo setor produtivo organizado.
Reconhecemos a relevância do esforço científico empreendido no Estudo e entendemos que o debate técnico fundamentado, incluindo a explicitação de divergências metodológicas, é parte constitutiva do processo científico e contribui para o aprimoramento das análises e para a qualificação do debate público sobre restauração ecológica.
A Nativas Brasil enviou uma carta ao Portal de Livros Abertos da USP, trazendo suas observações e comentários acerca do Estudo e complementando os dados apresentados. Os dados aos quais nos referimos abrangem informações levantadas no diagnóstico Viveiros do Brasil, elaborado pela Nativas Brasil em 2025, e também as informações cadastrais levantadas junto à base de associados ao longo de todo ano de 2025. Segue um trecho da nossa carta:
“[…] consideramos importante trazer ao debate público alguns pontos que, à luz dos dados consolidados pela Nativas Brasil, indicam limitações relevantes nas conclusões apresentadas pelo estudo.
O estudo baseia suas conclusões principalmente na produção média anual declarada, o que conduz à leitura de uma escassez estrutural de mudas e sementes. Nossos dados indicam um cenário diferente: existe uma capacidade produtiva instalada muito superior à produção efetivamente realizada.
Atualmente, apenas cerca de 31% dessa capacidade é ativada, e menos de 20% é de fato comercializada, em função de gargalos como falta de demanda previsível, ausência de crédito, insegurança de mercado e descontinuidade de políticas públicas. O desafio central não é a falta de viveiros, mas a subutilização da infraestrutura já existente.
Enquanto o estudo aponta a baixa oferta como principal limitação, a experiência da base produtiva revela um desalinhamento sistêmico entre oferta, planejamento da demanda, financiamento e políticas públicas. Esse desalinhamento impede que a capacidade instalada se converta em produção real.
Além disso, os gargalos destacados no estudo — como logística e localização geográfica — não refletem plenamente os entraves percebidos pelos produtores, que apontam como centrais a ausência de demanda estável, a burocracia regulatória, o alto custo de insumos e a dificuldade de acesso a crédito e mão de obra.
A abordagem exclusivamente quantitativa e o viés produtivista do questionário também tendem a reduzir a compreensão do setor à lógica de volume e preço, invisibilizando funções estratégicas exercidas pelos viveiros, como conservação genética, formação de estoques, educação ambiental, apoio à restauração comunitária e atendimento a políticas públicas.
O mesmo ocorre na leitura sobre a origem das sementes. Longe de indicar um mercado pouco estruturado, a predominância de arranjos híbridos — combinando coleta própria, redes de sementes, parcerias comunitárias e compra entre produtores — revela um modelo descentralizado, territorializado e funcional, ainda pouco reconhecido pelas políticas públicas.
Por fim, cabe destacar a limitação da amostra analisada: embora mais de mil fornecedores tenham sido mapeados, apenas 77 responderam ao questionário, o que restringe a robustez das inferências sobre produção e mercado e pode levar à subestimação da capacidade real do setor.
Diante do alcance do Jornal da USP e da relevância do debate público sobre restauração ecológica, solicitamos a publicação de uma resposta institucional da Nativas Brasil ao artigo, de forma pública, a fim de apresentar dados complementares e contribuir para uma leitura mais precisa e equilibrada do setor de sementes e mudas nativas no Brasil. […].”
Nota técnica da Nativas Brasil: importância dos nossos dados sobre o panorama das mudas nativas
A Nativas Brasil é uma associação nacional que reúne atualmente 129 produtores de sementes e mudas nativas de todos os biomas brasileiros. Criada a partir da articulação direta da base produtiva, a organização atua para fortalecer a restauração ecológica e produtiva de qualidade no país, conectando ciência, produção, políticas públicas e mercado.
Atualmente, a Nativas Brasil representa mais de uma centena de viveiros e produtores de espécies nativas, distribuídos por todos os biomas, com capacidade produtiva instalada superior a 180 milhões de mudas nativas por ano, somando mais de 1.400 espécies nativas entre seus associados. Sua atuação combina qualificação técnica, fortalecimento institucional da cadeia produtiva, incidência em políticas públicas e construção de soluções estruturantes para a bioeconomia da restauração.
Ao longo de sua trajetória recente, a associação consolidou-se como interlocutora estratégica em agendas nacionais e internacionais, contribuindo para o aprimoramento de instrumentos regulatórios, para a inclusão dos viveiros em políticas de crédito rural e para o avanço de uma restauração baseada em critérios ecológicos, territoriais e genéticos.
Os dados aqui apresentados resultam da análise de informações declaradas pelos associados da Nativas Brasil, constituindo, portanto, um recorte específico da cadeia produtiva. Ainda assim, trata-se de uma base empírica consistente e mais abrangente do que a amostragem utilizada no Estudo analisado.
Esse contraste evidencia a necessidade de contextualizar criticamente as conclusões apresentadas, à luz de evidências mais representativas e aderentes à realidade operacional dos viveiros, o que justifica a apresentação do papel, da trajetória e da representatividade institucional da Nativas Brasil no setor.
A seguir apresentamos alguns aspectos do conteúdo observado no Estudo, acompanhados de observações reunidas pela Nativas Brasil.
1. Leitura homogênea dos gargalos versus identificação de entraves reais
Estudo: O foco recai majoritariamente sobre logística, diversidade de espécies e localização geográfica.
Nativas Brasil: Os dados da Nativas Brasil mostram que os principais gargalos identificados na coleta e também percebidos pelos produtores são falta de demanda previsível, ausência de linhas de crédito, custo elevado de insumos, legislação burocrática e mão de obra, fatores pouco explorados no Estudo, mas determinantes para a expansão real da produção, que não exige necessariamente novos viveiros em todos os locais, mas otimização da capacidade instalada dos viveiros existentes, desde que as circunstâncias adequadas estejam presentes.
2. Produção de mudas nativas declarada versus capacidade produtiva instalada
Estudo: As análises no Estudo consideram apenas a produção média anual declarada, resultando na conclusão de uma capacidade extremamente reduzida do setor frente às metas de restauração assumidas pelo Brasil.
Nativas Brasil: Os dados da Nativas Brasil demonstram que o setor apresenta uma capacidade produtiva instalada significativamente superior à produção efetivamente realizada. A capacidade total dos viveiros atualmente associados é estimada em cerca de 189 milhões de mudas nativas por ano. Em 2024, a produção alcançou 59 milhões de mudas, o que corresponde a 31% da capacidade produtiva instalada. Desse total, apenas 36 milhões de mudas foram efetivamente comercializadas, equivalentes a 19% da capacidade instalada. O restante das mudas nativas produzidas ficaram no estoque dos viveiros sem destino, ou seja, 23 milhões de mudas que os viveiristas tiveram que fazer promoções para vender mais barato, descartar uma parte ou segurar até o próximo período chuvoso. Esse descompasso evidencia gargalos estruturais relacionados à demanda, à baixa previsibilidade do mercado e às limitações das políticas públicas, que restringem o pleno uso da infraestrutura produtiva já existente.
Divergência central: o problema estrutural não é “falta de viveiros”, mas subutilização da capacidade existente.
3. Diagnóstico de escassez versus diagnóstico de desalinhamento sistêmico
Estudo: Conclui que a principal limitação é a baixa oferta absoluta de sementes e mudas nativas.
Nativas Brasil: Os dados indicam que a limitação central está no desalinhamento entre oferta existente, políticas públicas, mecanismos de financiamento e planejamento da demanda, o que impede a ativação da capacidade produtiva já instalada.
4. Leitura homogênea dos gargalos versus identificação de entraves reais
Estudo: O foco no Estudo recai majoritariamente sobre logística, diversidade de espécies e localização geográfica.
Nativas Brasil: Os dados da Nativas Brasil mostram que os principais gargalos identificados no diagnóstico realizado e também percebidos pelos produtores são falta de demanda previsível, ausência de linhas de crédito, custo elevado de insumos, legislação burocrática e mão de obra, fatores pouco explorados no Estudo, mas determinantes para a expansão real da produção.
5. Abordagem exclusivamente quantitativa versus leitura sistêmica do setor
Estudo: O trabalho descrito no Estudo se baseia exclusivamente em dados quantitativos, extraídos de bases secundárias e de um questionário fechado, sem incorporar métodos qualitativos (entrevistas em profundidade, análises territoriais, históricos produtivos ou leitura institucional dos atores).
Nativas Brasil: A base de dados da Nativas Brasil combina informações quantitativas e qualitativas, incluindo histórico de atuação dos viveiros, gargalos operacionais, dinâmica territorial, capacidade instalada versus produção real, relações com o território, mercado e políticas públicas. Essa abordagem revela dimensões estruturais do setor que não emergem apenas de números agregados.
6. Viés produtivista do questionário versus diversidade de funções do setor
Estudo: As perguntas abordadas no Estudo são fortemente orientadas à produção, volume e preço, o que induz uma leitura do setor centrada apenas na lógica mercantil, invisibilizando outras funções estratégicas da cadeia (formação de estoques, produção sob demanda pública, conservação genética, educação ambiental, apoio a SAFs e restauração comunitária).
Nativas Brasil: Nossos dados mostram que os viveiros e produtores atuam em múltiplas frentes, como implantação florestal, projetos próprios, doação de mudas nativas, educação ambiental e sistemas produtivos sustentáveis, que não se refletem diretamente em volume comercializado, mas são centrais para a restauração ecológica em escala e qualidade.
7. Origem das sementes: leitura simplificada versus arranjos territoriais complexos
Estudo: No Estudo, a predominância da coleta própria é apresentada como indicativo de um mercado de sementes ainda pouco estruturado.
Nativas Brasil: De acordo com informações extraídas da base da Nativas Brasil, evidenciamos a existência de arranjos híbridos (coleta própria, compra, redes de sementes, parcerias comunitárias), com 2 milhões de kg de sementes/ano, mais de 17 mil matrizes georreferenciadas e redes ativas de coletores. Isso demonstra não a ausência ou desestruturação desse mercado, mas um modelo descentralizado, que observa territorialidade e tem se demonstrado funcional, mas segue ainda em desenvolvimento e é pouco reconhecido pelas políticas públicas formais.
8. Centralização geográfica interpretada como ineficiência logística
Estudo: a concentração de fornecedores no Sudeste é interpretada como um fator que “compromete a eficácia dos projetos de restauração”, sugerindo que a distância entre produção e plantio é, por si só, um problema estrutural.
Nativas Brasil: De acordo com os dados da Nativas Brasil, os viveiros produzem mudas nativas direcionadas a outros biomas e estados, ajustando espécies, procedência e logística conforme a demanda. A centralização reflete mais a concentração histórica de políticas públicas, infraestrutura e demanda de mercado, e não necessariamente incapacidade técnica de atendimento a áreas distantes.
9. Limitação do estudo quanto ao número de produtores efetivamente consultados
Estudo: identificou um universo amplo de 1.132 fornecedores de sementes e mudas nativas. Destes, 77 produtores foram efetivamente consultados por meio do questionário (6,8% do total mapeado). Essa discrepância entre universo identificado e amostra respondente impõe limitações importantes à robustez das inferências sobre produção, preços, diversidade de espécies e origem das sementes. Enquanto o mapeamento territorial é amplo e consistente, a profundidade analítica sobre produção e mercado se apoia em uma amostra reduzida. Esse descompasso pode levar à sobreposição indevida de conclusões produtivas sobre uma base territorial que não foi integralmente caracterizada em termos operacionais.
Nativas Brasil: a extrapolação da produção média dos 77 respondentes para todo o universo de fornecedores pode resultar em subestimação da capacidade real do setor, especialmente em um contexto marcado por forte heterogeneidade regional, institucional e produtiva. A limitação da amostra reforça a importância de complementar o levantamento com estratégias adicionais, como parcerias institucionais, dados associativos, bases administrativas atualizadas e metodologias qualitativas, capazes de captar a diversidade funcional e territorial do setor de forma mais representativa.
10. Pontos positivos do estudo: contribuição do mapeamento do setor
Estudo: o Estudo apresenta um mapeamento abrangente dos fornecedores de sementes e mudas nativas em todo o território nacional, integrando diferentes bases públicas e institucionais. Essa consolidação representa um avanço importante frente à histórica fragmentação de informações sobre o setor, oferecendo uma visão nacional até então inexistente ou dispersa em múltiplas fontes.
Visibilização territorial da cadeia de fornecimento
A espacialização dos dados no Estudo permite identificar padrões regionais, vazios territoriais e áreas de maior concentração de produtores, contribuindo para uma leitura geográfica do setor. Essa abordagem é especialmente relevante para subsidiar debates sobre logística, planejamento territorial da restauração e priorização de políticas públicas regionais.
Integração de diferentes tipos de atores
O mapeamento do Estudo inclui uma diversidade de perfis institucionais (viveiros públicos e privados, redes de sementes, cooperativas, associações, comunidades tradicionais, assentamentos e instituições acadêmicas) reforçando a compreensão do setor como uma cadeia heterogênea e multifuncional, e não restrita apenas à produção comercial privada.
Construindo diagnósticos mais precisos: a convergência entre academia, setor produtivo e políticas públicas
O avanço da restauração ecológica em larga escala no Brasil exige diagnósticos cada vez mais robustos, capazes de integrar diferentes fontes de informação, escalas territoriais e perspectivas metodológicas. Pesquisas acadêmicas desempenham papel central nesse processo, ao sistematizar dados, propor análises críticas e subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
Ao mesmo tempo, a complexidade do setor de sementes e mudas nativas demanda a incorporação de informações provenientes do campo produtivo organizado, que detém conhecimento acumulado sobre capacidade instalada, dinâmicas territoriais, gargalos operacionais e arranjos institucionais já em funcionamento. A articulação entre ciência e prática é condição essencial para que os diagnósticos reflitam de forma mais precisa a realidade do setor e contribuam para soluções efetivas.
Nesse sentido, a Nativas Brasil reafirma seu reconhecimento à importância da produção científica e sua plena disponibilidade para colaborar com pesquisas, revisões e aprofundamentos futuros que, aliás, se reflete no contato que a entidade fez com as pesquisadoras no sentido de se colocar à disposição para apoiar a revisão do Estudo, para que uma nova versão possa ser publicada considerando os dados já levantados em sua base de associados.
O fortalecimento do diálogo entre pesquisadores, produtores, formuladores de políticas públicas e demais atores da restauração é o caminho para a construção de um sistema nacional de sementes e mudas nativas mais eficiente, diverso e alinhado aos desafios ambientais e climáticos enfrentados pelo país.
Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – GreenBond Conservation


