Pela primeira vez, o Plano Safra passa a financiar a produção de sementes e mudas nativas. Essa conquista inédita, impulsionada pela articulação da Nativas Brasil, insere viveiros e coletores de espécies nativas no centro das políticas agrícolas sustentáveis, por meio dos programas Pronaf Bioeconomia e RenovAgro Ambiental. Mais do que um avanço setorial, esse reconhecimento fortalece a restauração florestal como política pública e prepara o país para cumprir a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. É hora de celebrar, e de fazer essa política chegar ao campo. Quem trabalha com sementes e mudas nativas agora tem um novo caminho para crescer com apoio institucional. Vem entender mais neste artigo!
Um avanço histórico para celebrar o Dia Mundial da Conservação da Natureza
Peltophorum dubium. Foto: Viveiro Anauá
No Dia Mundial da Conservação da Natureza, celebrado em 28 de julho, temos um motivo concreto para comemorar: a inclusão inédita da cadeia de sementes e mudas nativas no Plano Safra 2025/2026. A partir de agora, viveiros e produtores que atuam com espécies nativas passam a ter acesso de forma mais clara ao crédito rural e ao reconhecimento formal nas políticas públicas de financiamento da agricultura brasileira.
Essa conquista é resultado direto da atuação articulada da Nativas Brasil, em diálogo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), o Banco do Brasil, o BNDES com a ajuda de organizações parceiras, como a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
O que é o Plano Safra e como ele funciona?
Imagem de divulgação do Plano Safra 2025/2026. Foto: gov.br
O Plano Safra é o principal instrumento de política agrícola do país. Renovado anualmente, ele orienta as prioridades de crédito rural e define recursos, taxas e condições para agricultores familiares e empresariais.
Por muitos anos, a base da cadeia de restauração ecológica esteve fora das políticas de incentivo ao setor agrícola, ou melhor dizendo, sem o devido destaque para que pudesse contemplar os produtores. Com essa inclusão clara mencionando o setor, ele passa a ser reconhecido como um pilar estratégico da agricultura sustentável brasileira.
Essa inclusão se materializa através de três programas interligados:
- Plano Safra 2025/26: por meio da Resolução CMN nº 5.229/2025, passa a incluir a produção e coleta de sementes e mudas nativas como atividade financiável no crédito de custeio agrícola.
- Pronaf Bioeconomia: previsto na Resolução CMN nº 5.230/2025, viabiliza crédito de investimento para que agricultores familiares estruturarem viveiros e cadeias produtivas baseadas na biodiversidade.
- RenovAgro Ambiental: conforme a Resolução CMN nº 5.228/2025, reconhece os viveiros como instrumentos estratégicos para a recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs), integrando-os à agenda de combate à degradação ambiental.
Com isso, sementes e mudas nativas, restauração florestal e viveiros passam a integrar os planos de financiamento e direcionamento do desenvolvimento rural no Brasil, um avanço decisivo para o setor e para o cumprimento das metas climáticas do país.
Como o Plano Safra fortalece o cumprimento do Acordo de Paris no Brasil
Entrega da Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil ao Secretário-Executivo da UNFCCC, Simon Stiel. © UNFCCC
O Brasil se comprometeu, no Acordo de Paris, a restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Para transformar esse compromisso em realidade, é fundamental ampliar a escala da restauração com base técnica, logística e financeira. Essa nova estrutura de apoio, com crédito rural e reconhecimento institucional, fortalece diretamente a capacidade do país de planejar, executar e sustentar projetos de restauração em larga escala.
Ao garantir acesso a financiamento para a produção de insumos ecológicos (como sementes e mudas nativas), o Plano Safra cria as bases para que viveiros e coletores possam crescer com segurança jurídica e apoio estatal.
Se você quer entender melhor como essa agenda se conecta à preparação do Brasil para a COP30 e ao protagonismo climático que o país pode assumir, leia também este artigo no nosso blog.
Incidência política e representatividade da Nativas Brasil
Presidente da Nativas Brasil, Rodrigo Ciriello (à direita), em evento do Ministério do Meio-Ambiente. Junto a ele, Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudanças do Clima do Brasil (MMA) e o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho. Foto: Nativas Brasil
A inclusão da cadeia de sementes e mudas nativas no Plano Safra é resultado direto do trabalho contínuo da Nativas Brasil. Ao longo dos últimos anos mantivemos diálogo constante com o governo federal, entidades financeiras e organizações da sociedade civil. Atuamos com base na escuta dos nossos associados, elaboramos propostas técnicas, participamos de grupos de trabalho e estivemos presentes nos fóruns de decisões.
Presidente da Nativas Brasil, Rodrigo Ciriello (à direita) e Diretor Institucional, Renato Ximenes. Foto: Nativas Brasil
A parceria com a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura foi decisiva para esse avanço, especialmente com a contribuição de Raul Silva Telles do Valle e Leila Harfuch (Agroicone) nas Forças-Tarefa de Finanças Verdes, Restauração e Silvicultura de Nativas.
Essa vitória é coletiva e consolida a produção de nativas como um setor estratégico da sustentabilidade, da bioeconomia e da agricultura de baixo carbono.
| Seguimos mobilizados No Dia Mundial da Conservação da Natureza, essa conquista é reforça uma verdade essencial: conservação e desenvolvimento devem caminhar lado a lado. A Nativas Brasil seguirá mobilizando produtores, fortalecendo redes e atuando para garantir que essas políticas públicas saiam do papel e façam a diferença no campo. Seguimos comprometidos com o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração e com um Brasil mais verde. Equipe da Nativas Brasil. |
Redação: Comunicação Nativas Brasil – Greenbond Conservation


