Década da Restauração de Ecossistemas: metas a alcançar e desafios a superar

Como um chamado urgente para reverter os danos ambientais causados pela ação humana, a ONU declarou os anos de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas. Embora as metas e ações sejam voltadas principalmente para os governos nacionais, elas envolvem toda a sociedade, desde o setor privado, organizações não governamentais, e sociedade civil. 

Mas será que ainda há tempo para salvar a natureza? No blog deste mês, abordamos a importância desse acordo internacional, as metas a serem cumpridas e como a Nativas Brasil e seus viveiros associados podem contribuir para alcançar os objetivos globais e deter a degradação de ecossistemas. Leia até o fim e entenda o seu papel!

 

Fotografia de árvores na Mata Atlântica do Rio de Janeiro
Árvores da Mata Atlântica. Foto: Iara Borges

 

O que é a Década da Restauração de Ecossistemas?

A Década da Restauração abrange o período de 2021 a 2030, foi proclamada em 2019 e instituída oficialmente em junho de 2021, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa iniciativa representa um marco histórico, voltada para a mobilização de esforços globais na prevenção, contenção e reversão da degradação dos ecossistemas terrestres e marinhos.

As ações integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, que também incluem a erradicação da pobreza, a segurança alimentar, a adaptação às mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade.

Mas por que esse assunto é tão importante, a ponto de ter uma década destinada a isso? Continue lendo e descubra os principais conceitos que envolvem esses acordos internacionais.

 

O que é a restauração ecológica?

Para começar é importante entender o que é a famigerada restauração ambiental, tão comentada por aí: Segundo os Princípios da Society for Ecological Restoration (SER), restauração corresponde ao conjunto de atividades que auxilia, iniciando ou acelerando os processos naturais de recuperação da saúde, integridade e sustentabilidade de um ecossistema que foi alterado, degradado ou totalmente destruído em decorrência das ações humanas, diretas ou indiretas.

A depender do nível de degradação ou completa destruição do ecossistema a ser recuperado, as ações devem ser planejadas de maneira abrangente, garantindo o manejo pelo tempo necessário até que o ambiente atinja a estabilidade e autonomia.

 

Uma fotografia aérea de uma região desmatada em Itu, São Paulo
Imagem aérea de uma propriedade localizada no município de Itu/SP, antes da restauração florestal. Imagem: SOS Mata Atlântica

 

Imagem aérea de uma região reflorestada em Itu, São Paulo
Imagem aérea da mesma área após o plantio de 720 mil árvores nativas. Imagem: SOS Mata Atlântica.

 

A importância da restauração

Por muitos anos, o ser humano devastou as paisagens naturais , desmatando florestas, incendiando campos e poluindo corpos d’água, em nome do progresso econômico e tecnológico. No entanto, esse chamado “avanço” frequentemente desconsiderou os limites da natureza e o equilíbrio ecológico, essencial para a saúde de todo o meio ambiente e, consequentemente, para a nossa própria sobrevivência.

Infelizmente, não existe uma forma de voltarmos no tempo para restabelecer as ações tomadas no passado, mas também já sabemos que não há tempo a perder! Precisamos agir e tomar medidas urgentes agora, antes que cruzemos o ponto de não retorno, comprometendo de maneira irreversível o futuro do planeta.

Além de recuperar os serviços ecossistêmicos, restaurar funções ambientais e reestabelecer interações ecológicas, a restauração de áreas degradadas também promove benefícios  econômicos e sociais, integrando o desenvolvimento humano à sustentabilidade ambiental.

Área de reflorestamento realizado por Flora Londrina
Área de reflorestamento. Foto: Flora Londrina.

 

Quais são as metas para restauração?

Após aderir aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, o Brasil assumiu diversos compromissos internacionais com metas específicas para restaurar ecossistemas, reflorestar áreas e recuperar regiões degradadas , destacando-se, entre esses acordos, o Acordo de Paris.

Através do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) o Brasil estabeleceu como objetivo, restaurar 12 milhões de hectares até 2030. 

Daniel Jimenez, um parceiro da Nativas Brasil e um dos fundadores da Silva, uma empresa dedicada ao fortalecimento do comércio de mudas e sementes nativas, realizou um levantamento que estima que 60 a 80 milhões de hectares de pastagens degradadas no Brasil podem ser recuperados  por meio de técnicas economicamente viáveis.

 

Valores em percentuais às áreas de cobertura de vegetação determinadas para o cumprimento da Lei de Proteção à Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012). Fonte: Planaveg.
Valores em percentuais às áreas de cobertura de vegetação determinadas para o cumprimento da Lei de Proteção à Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012). Fonte: Planaveg.

A silvicultura de espécies nativas, sistemas agroflorestais (SAFs) e através da estratégia ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta) estão entre as opções, gerando renda e serviços ambientais. 

Paralelamente, 20 milhões de hectares de passivos ambientais em propriedades rurais aguardam restauração, evidenciando a necessidade de políticas que aliem compliance legal a ganhos produtivos.

 

O papel dos viveiros de mudas e sementes nativas na Década da Restauração

Ao priorizar a garantia da biodiversidade, o combate às mudanças climáticas e a sustentabilidade dos recursos naturais, a cadeia de processos de restauração de ecossistemas fomenta a produção de mudas e sementes, além de impulsionar todos os setores relacionados. Esse ciclo reflete diretamente no fortalecimento da economia e na geração de empregos.

O estudo “Os bons frutos da recuperação florestal: do investimento aos benefícios”, do Instituto Escolhas, revelou que a restauração dos 12 milhões de hectares previstos pode gerar 5,2 milhões de empregos. Essas oportunidades surgem tanto na fase de implementação dos projetos quanto na produção, no manejo e na manutenção contínua de sistemas agroflorestais em propriedades da agricultura familiar.

Entre florestas e paisagens, ainda há muitas áreas para serem restauradas, como podemos visualizar em dados divulgados no Observatório da Restauração e Reflorestamento, uma plataforma integrada, lançada em 2021. A ferramenta reúne informações sobre as ações e projetos de restauração em todos os biomas brasileiros.

Associados da Nativas Brasil reunidos no 4º Workshop de Mudas Nativas, realizado em Avaré-SP. Foto: Rogério Pereira.
Associados da Nativas Brasil reunidos no 4º Workshop de Mudas Nativas, realizado em Avaré-SP. Foto: Rogério Pereira.

Até o momento, o Observatório já apresentou os seguintes dados: 153,14 mil hectares restaurados; 8,76 milhões hectares reflorestados; e 18,58 milhões hectares de vegetação secundária (resultado de regeneração natural, sem intervenção humana, observada através do Mapbiomas, desde 2008).

O reflorestamento com espécies nativas é amplamente difundido e constitui uma das principais alternativas para a restauração dos ecossistemas, tendo os viveiros de mudas e sementes nativas como os principais fornecedores de espécies vegetais adaptadas a cada bioma, garantindo a recomposição florestal de forma sustentável e eficiente.

Os associados da Nativas Brasil possuem a capacidade de fornecer qualidade e material genético diversificado, garantindo a resiliência das áreas restauradas. Assim como você pode conferir nesta publicação, que reuniu diversos dados importantes para este setor.

 

A Nativas Brasil na linha de frente da restauração ambiental

A Nativas Brasil representa produtores de sementes e mudas nativas, fortalecendo a cadeia produtiva para a restauração ecológica. Atualmente, contamos com mais de 100 associados e capacidade produtiva instalada de cerca de 100 milhões de mudas anuais.

Segundo a Silva, o cenário atual da produção nacional dos viveiros comerciais de espécies nativas no Brasil é de 150 a 200 milhões de mudas por ano, representando cerca de 70% da capacidade instalada. 

Atualmente, há uma lacuna a ser ocupada para que o setor atinja sua capacidade máxima, principalmente devido à falta de incentivos governamentais, como linhas de crédito e diretrizes que garantam uma demanda estável e equilibrada.

No Dia Internacional das Florestas, nosso presidente, Rodrigo Ciriello, representou a nossa associação nos eventos realizados em Brasília, no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Uma das ações marcantes deste dia, foi o lançamento oficial do edital “Restaura Amazônia”.

Presidente da Nativas Brasil, Rodrigo Ciriello (à direita), no Ministério do Meio-Ambiente. Junto a ele, Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudanças do Clima do Brasil (MMA) e o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho.
Presidente da Nativas Brasil, Rodrigo Ciriello (à direita), no Ministério do Meio-Ambiente. Junto a ele, Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudanças do Clima do Brasil (MMA) e o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho.

 

Acreditamos no fortalecimento do setor e trabalhamos diariamente para impulsioná-lo, reconhecendo seu papel fundamental no cumprimento dos acordos internacionais e dos princípios da Década da Restauração de Ecossistemas da ONU.

Saiba mais sobre nosso trabalho e entre em contato agora mesmo para se tornar um associado e fazer parte dessa importante missão.

 

Texto por: Kleyton Camargo – Greenbond Conservation

Revisado por: Juliana Cuoco Badari – Greenbond Conservation

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