O Cerrado, comemorado no dia 11 de setembro, reúne uma das maiores riquezas naturais do Brasil, mas também enfrenta desafios que exigem ações cada vez mais urgentes de conservação e restauração. Neste artigo, conheça iniciativas que ajudam a proteger o bioma e apontam caminhos para recuperar seus territórios.
Por que a preservação do Cerrado é tão importante?
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Cerrado ocupa cerca de 23,9% do território brasileiro e é reconhecido como uma das savanas mais biodiversas do planeta.
Sua importância vai muito além da variedade de espécies: o bioma abriga nascentes e áreas de recarga que contribuem para importantes bacias hidrográficas, desempenhando papel estratégico na segurança hídrica, na produção de alimentos e na regulação climática de todo território brasileiro.
Apesar dessa relevância, a preservação do Cerrado ainda enfrenta grandes desafios. Segundo o ICMBio, apenas 8,21% de sua área está legalmente protegida por unidades de conservação, enquanto a expansão de atividades agropecuárias, a fragmentação dos habitats e outras formas de ocupação do território continuam pressionando sua biodiversidade.
A própria ONU destaca que o bioma já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, o que reforça a necessidade de combinar proteção das áreas remanescentes com ações de restauração.
Dessa forma, é necessário que iniciativas continuem preservando o Cerrado para atenuar perdas, recuperando áreas degradadas, fortalecendo a biodiversidade, protegendo os recursos hídricos e criando condições para que comunidades, produtores, pesquisadores e diferentes setores da sociedade participem da restauração.

Restauração do Cerrado ganha força no Brasil e no cenário internacional
A restauração do Cerrado vem ganhando espaço em políticas públicas, iniciativas de pesquisa e compromissos internacionais.
Um exemplo recente desse movimento está no próprio ICMBio, que, em junho de 2026, publicou a Instrução Normativa nº 20/2026, regulamentando a coleta de sementes e outros propágulos de espécies vegetais nativas em Unidades de Conservação (UCs) federais para fins de restauração. Além disso, também há diretrizes específicas para a implementar ações de restauração em UCs e suas zonas de amortecimento, estabelecidas pela IN nº 27/2025.
Esse avanço também aparece na produção de conhecimento. Em julho de 2026, o ICMBio informou estar integrando dados sobre iniciativas de restauração no Cerrado, com registros envolvendo mais de 1.200 espécies vegetais, incluindo informações de levantamentos, viveiros e bancos de sementes.
O cenário mostra que restaurar o Cerrado exige mais do que recuperar áreas degradadas: é necessário estruturar uma cadeia capaz de fornecer sementes, produzir mudas, aplicar técnicas adequadas, monitorar resultados e envolver comunidades e diferentes atores do território. É justamente nessa direção que avançam iniciativas brasileiras que vêm ganhando reconhecimento nacional e internacional, entre elas, a Araticum, reconhecida pela ONU como referência mundial em restauração.
Rede Araticum, Articulação pela Restauração do Cerrado, ganha reconhecimento mundial por iniciativa de restauração
O Cerrado brasileiro acaba de conquistar um importante reconhecimento internacional. Em 26 de agosto de 2026, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), em Ulaanbaatar, na Mongólia, a rede Araticum foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).
O reconhecimento é concedido no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021–2030) e coloca a restauração do Cerrado entre os projetos de maior destaque no cenário internacional.
A Araticum é uma rede colaborativa dedicada a promover e monitorar a restauração ecológica do Cerrado e reúne mais de 180 organizações, entre povos indígenas, comunidades quilombolas e locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil e governos, a qual a Nativas Brasil também faz parte.
A articulação estabeleceu como meta contribuir para a restauração de 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030. Atualmente, mais de 27 mil hectares já foram mapeados para restauração, enquanto sementes de mais de 150 espécies nativas já foram coletadas e utilizadas nas ações.
Com a Araticum, o país passou a ser o único a contar com duas Iniciativas de Referência da Restauração Mundial reconhecidas pela ONU. Segundo a organização, as 30 iniciativas reconhecidas desde 2022 somam quase 20 milhões de hectares em restauração e compromissos para recuperar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, além de contribuírem para a geração de mais de 800 mil empregos.
A escolha da Araticum evidencia uma mudança importante na forma de pensar a preservação do Cerrado. Restaurar o bioma em larga escala exige conhecimento científico, sementes e mudas de espécies nativas, técnicas adequadas para diferentes ambientes e, sobretudo, a participação de quem vive e trabalha nos territórios.
A proposta da rede parte justamente dessa articulação entre ciência, comunidades, produtores, organizações e poder público, mostrando que a restauração é uma estratégia de conservação da biodiversidade, proteção da água e desenvolvimento socioeconômico.
A conquista reforça, portanto, que o Cerrado não é apenas um bioma brasileiro a ser protegido: sua restauração já é reconhecida como uma agenda de importância mundial. E, diante da pressão provocada pela conversão e fragmentação de áreas nativas e pelas mudanças climáticas, iniciativas como a Araticum mostram que preservar o que ainda existe e recuperar o que foi degradado precisam caminhar lado a lado.
O que a iniciativa Araticum ensina sobre a preservação do Cerrado?
O reconhecimento da Araticum pela ONU mostra que a preservação do Cerrado precisa ir além da proteção da vegetação nativa: é necessário restaurar áreas degradadas e fortalecer as pessoas que atuam diretamente nesses territórios. Criada em 2020, a iniciativa tem como meta restaurar 2 milhões de hectares até 2030.
Um dos principais aprendizados é a importância da ação coletiva. A Araticum reúne mais de 180 organizações, incluindo povos indígenas e quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais. A articulação atua em nove estados e combina diferentes estratégias, como regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais.
A Araticum também articula ferramentas como pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, planejamento territorial e políticas públicas, além de fortalecer uma cadeia que envolve coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.
Os resultados já alcançados reforçam essa dimensão: são mais de 27 mil hectares mapeados para restauração e sementes de mais de 150 espécies nativas já coletadas e utilizadas. Assim, a experiência demonstra que preservar o Cerrado exige integrar conservação, restauração, ciência, conhecimentos tradicionais e geração de oportunidades.
No fim, a principal lição é clara: não basta proteger o que ainda existe; é preciso criar condições para recuperar o que foi degradado e fazer isso de forma inclusiva e em escala. O reconhecimento da ONU mostra que esse caminho já é visto internacionalmente como uma estratégia relevante para o futuro do Cerrado.
A preservação do Cerrado depende de uma ação coletiva
Restaurar e preservar o Cerrado exige união, conhecimento e participação de quem acredita que a conservação pode transformar territórios.
Aos associados da Nativas Brasil, fica o convite para continuarmos construindo essa rede e fortalecendo a restauração com sementes, mudas, conhecimento e soluções para a biodiversidade.
E, se você ainda não faz parte dessa mobilização, associe-se à Nativas Brasil e venha somar forças por um Cerrado mais preservado, restaurado e sustentável.
Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – GreenBond Conservation


