A vegetação nativa está desaparecendo do território brasileiro em ritmo preocupante. Dados da Coleção 11 do MapBiomas revelam a dimensão dessa perda ao longo de 41 anos e reforçam que conservar e restaurar nossos ecossistemas é cada vez mais urgente. Neste artigo, saiba a importância da cobertura vegetal nativa e as consequências da sua perda.
O que é cobertura vegetal e qual a sua importância?
A cobertura vegetal é o conjunto de plantas que recobre uma determinada área, formando uma camada viva sobre a superfície terrestre. Ela inclui florestas, savanas, campos, manguezais, restingas e outras formações naturais, além de áreas cultivadas.
É importante, porém, diferenciar a cobertura vegetal de uso da terra. Enquanto a primeira descreve o que recobre fisicamente o território, o uso da terra indica como as pessoas utilizam essas áreas, seja para agricultura, pecuária, mineração ou urbanização. Por exemplo, uma floresta convertida em pastagem não representa apenas uma mudança de cobertura, mas também uma mudança no uso daquele território.
A importância da cobertura vegetal começa pela proteção do solo. A presença de raízes, folhas e outros materiais orgânicos ajuda a reduzir o impacto da chuva, a conter a erosão e a favorecer a infiltração da água. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o solo é essencial para a produção de alimentos, a regulação da água, a conservação da biodiversidade e o armazenamento de carbono.
A vegetação também contribui para a regulação do ciclo da água e a manutenção de habitats. Florestas, campos e áreas úmidas participam de diferentes processos que ajudam a sustentar a biodiversidade e a estabilidade dos ecossistemas. Isso mostra que a cobertura vegetal não deve ser compreendida apenas pela quantidade de plantas, mas também pelas funções ecológicas que elas desempenham.
Quando essa cobertura é removida, o solo fica mais exposto, o escoamento superficial pode aumentar e processos de degradação podem se intensificar. A perda de vegetação também compromete habitats e reduz a capacidade dos ecossistemas de prestar serviços essenciais. Por isso, conservar a cobertura vegetal é preservar processos que sustentam a produção, a disponibilidade de água e a estabilidade ambiental.
Coleção 11 do MapBiomas: o Brasil perdeu 14% da cobertura vegetal nativa
A Coleção 11 do MapBiomas, lançada em 12 de agosto de 2026, atualiza o retrato da transformação da cobertura e do uso da terra no Brasil ao longo de quatro décadas. A série histórica utiliza imagens de satélite e permite acompanhar, ano a ano, as mudanças na paisagem do país.
Segundo o levantamento, a vegetação nativa passou de 79% para 65% do território brasileiro entre 1985 e 2025, uma redução de 14 pontos percentuais em 41 anos.
A perda não ocorreu de maneira uniforme entre as diferentes formações naturais. A Formação Florestal, por exemplo, continuava como a principal cobertura natural do país em 2025, ocupando 359,5 milhões de hectares, mas acumulou uma redução de 65 milhões de hectares desde 1985. Entre as demais formações, a formação savânica perdeu 46 milhões de hectares, enquanto a formação campestre teve redução de 6,3 milhões de hectares.
Ao mesmo tempo, áreas de uso antrópico avançaram sobre parte desse território. Entre 1985 e 2025, a pastagem aumentou 61,6 milhões de hectares, a agricultura cresceu 48 milhões de hectares, a silvicultura avançou 8 milhões de hectares e as áreas urbanizadas aumentaram 2,5 milhões de hectares. Os números ajudam a dimensionar como a transformação da cobertura vegetal está associada à expansão de diferentes atividades e usos do território.
Para revelar uma mudança na paisagem, os dados da Coleção 11 ajudam a compreender as consequências ambientais dessa transformação. O próprio MapBiomas aponta que a redução da vegetação nativa está relacionada à maior exposição do território brasileiro a eventos extremos, reforçando a necessidade de conservar os remanescentes naturais e recuperar áreas degradadas.
Amazônia e Cerrado: onde a perda de vegetação nativa ganha maior dimensão
A Amazônia e o Cerrado concentram as maiores perdas acumuladas de vegetação nativa do Brasil entre 1985 e 2025, segundo a Coleção 11 do MapBiomas. A Amazônia perdeu 53,9 milhões de hectares, enquanto o Cerrado perdeu 51,7 milhões de hectares no período.
Proporcionalmente, Cerrado e Pampa tiveram as maiores quedas dentro de seus próprios territórios, de 34% e 32%, respectivamente. A Mata Atlântica continua sendo o bioma com a menor redução proporcional de vegetação nativa nesse período (12%), mas ainda é o bioma brasileiro com a menor proporção de vegetação nativa (32%).
Em 2025, Amazônia e Pantanal permanecem como os biomas com maior proporção de vegetação nativa, ambos com mais de 80% de seu território ocupado por coberturas nativas. Caatinga e Mata Atlântica destacam-se por apresentarem as maiores áreas de transição de uso agropecuário para vegetação nativa, totalizando 4,4 milhões de hectares (18,2% do total das transições na Caatinga) e 6,2 milhões de hectares (13,6% na Mata Atlântica).
A dimensão dessas perdas é especialmente relevante porque os dois biomas desempenham funções essenciais para o equilíbrio ambiental brasileiro. A Amazônia abriga uma das maiores diversidades biológicas do planeta e exerce papel importante na dinâmica climática e no ciclo da água. O Cerrado, por sua vez, reúne grande diversidade de espécies e está associado a importantes regiões de nascentes e bacias hidrográficas.
As causas e características dessa transformação também variam entre os biomas, acompanhando diferentes formas de ocupação e uso da terra. Por isso, conservar a cobertura vegetal da Amazônia e do Cerrado exige estratégias específicas, capazes de considerar as particularidades ecológicas, sociais e econômicas de cada região.
Menos vegetação nativa, maior exposição a eventos extremos
A perda de vegetação nativa não representa apenas uma mudança na paisagem: ela pode tornar o território mais vulnerável aos efeitos de eventos climáticos extremos. A Coleção 11 do MapBiomas mostra que, em anos de El Niño, áreas com maior presença de usos agropecuários apresentaram impactos mais intensos de precipitação extrema do que áreas onde predominam florestas, especialmente na Amazônia.
Os dados também revelam diferenças importantes entre as regiões. Na Amazônia, por exemplo, foi registrado o maior déficit de precipitação entre os biomas nos três eventos de El Niño analisados pelo estudo.
No episódio de 2023/2024, as áreas de agropecuária no bioma tiveram 178 milímetros de chuva abaixo da média climatológica, segundo o G1 Meio Ambiente. No Sul, por outro lado, o excesso de chuvas associado ao El Niño pode provocar perdas agrícolas e erosão dos solos, problemas agravados pela redução da vegetação nativa.
Esse cenário reforça que conservar a cobertura vegetal também é uma estratégia de redução da vulnerabilidade ambiental. Como destaca o próprio MapBiomas, as transformações acumuladas nas últimas quatro décadas já afetam a capacidade de resposta do território brasileiro a eventos climáticos extremos.
Conservar a cobertura vegetal é proteger o futuro do território
Os viveiros de mudas nativas são parte essencial desse futuro. São eles que ajudam a colocar a restauração ecológica em prática, produzindo espécies que vão recompor paisagens, recuperar áreas degradadas e fortalecer a conservação da biodiversidade.
Mas, esse trabalho ganha ainda mais força quando os viveiristas estão unidos.
Associe-se à Nativas Brasil, faça parte dessa rede e junte-se a outros viveiristas para fortalecer a produção de mudas nativas e lutar, juntos, pela conservação e restauração dos nossos ecossistemas.
Redação: Equipe de Comunicação Nativas Brasil – GreenBond Conservation


